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26 junho, 2007

Talvez. Talvez? Talvez!

Bem! eu acho... (pensou num dos seus intervalos de talvez). Mas como estar bem numa condição desconhecida? Não ter certeza dos seus sentimentos era concebido como regra. E assim, continuou sua divagação, embora conversação, com a dona que se precipitava na mesma confusão. Lembrou que numa dessas passagens zapeadas pela tv, ouviu dizer da dependência química do estado de espírito.

Fragmentado. Pensava assim as suas idéias, as palavras e os sentimentos, outrora pueril e romântico, hoje: urbano, rápido e vulgar.

Maduro?

Ela disse que passava para vê-lo. Ele nem notou e esqueceu de mais alguns dos seus compromissos. Um casal de amigos lhe trouxe um presente. Tentou se entorpecer dele, mas já não lhe provocava a mesma sensação de antes, não se permitia, talvez - senão a boca que secava e amargava. Viajou numa trilha amorronzada e amarrotada de formigas (sempre o fazia) - com ou sem seus tragos queimados. Ressecou-lhe a garganta e mais uma vez a sensação de estar nos intervalos de talvez.

Talvez. Talvez? Talvez fosse desconhecido por ele. Voltou ao seu encontro despropositado - nenhum dos que assumira ou tivesse tentado fazê-lo. Seu casal(?) de amigos conversava, bebiam na sala alta enquanto cá, na antecessora, ele escutava qualquer coisa de rock clássico. Estava vazia, poucos móveis; meia-luz, débil; umas pontas de cigarro, outras não; meia taça de vinho, engordurada; sapatos, poeira e a trilha de formigas tracejando seu caminho com sua carga indecifravel.

Viu emoldurada a arte de sua nova tempestade platônica. Estou bem? Eu acho... agora mais desconfiado do que antes. E tragou goles rápidos e volumosos do seu vinho engordurado. Precisava encher seu copo. E a garrafa estava vazia. E o casal(?) na sala alta? Foi e não se demorou e da boca feminina da sala alta, ouviu: profundo! Pensou, pois só pensava enquanto esvaziava a alma e embriagava o corpo, num motivo sexual, depois na sua natureza humana.

Surpreendeu-se com sua capacidade veloz de raciocínio para as suas "intressências". Pro resto, era lento e disperso, como não se incomodasse com a vulgaridade simplória do tempo alheio nem de um tempo imposto.

Ouviu tês tiros e imaginou: estou bem? acho que sim... mas alguém não está. Tropeçou na idéia de ser o outro ele, não o igual ao do momento, mas o outro ele. Seria o outro ele lírico? o outro ele poético? ou o outro ele imaturo e inconsequente?

O ele de agora se negou a admitir sua outra parte, a sua parte disperdiçada.

A pintura, indefinida no espaço, e o outro casal (?) continuavam no seu tempo. O ele, e o outro ele, não!

Um comentário:

carol disse...

oi poderoso,

uma leve sensação de deja vù ao ler o txt, pq será? kkkk
fiquei com vontade de ter vc lendo de novo p mim, e discutindo alguns pontos, kkk.
adoro a "sala alta"!!!!kk

bj Zé